• Miriam Olivia

Assédio sexual no trabalho da jornalista em "Borat 2" | Direito & Arte


O filme “Borat: Fita de Cinema Seguinte” inicia com a “missão” de Borat de entregar um macaco de presente a Mike Pence, o vice-presidente dos Estados Unidos, para consolidar a reconquista do Cazaquistão e Donald Trump. Após a morte do macaco sua filha, Tutar, passa a ser a oferenda.


É um filme indigesto, mas eu vou guardar minhas opiniões pessoais para outro momento.


Eu quero trazer aqui uma cena bem específica do final para discutirmos questões relacionadas ao trabalho, vamos lá?


Tutar está realizando uma entrevista com o ex-prefeito de Nova York (atual advogado pessoal de Donald Trump), Rudy Giuliani, com o objetivo de consolidar a “oferenda” para evitar a morte do pai. Ao final da entrevista ela oferece a ele uma bebida, eles vão para o quarto do hotel, ela retira o microfone e Giuliani é visto enfiando a mão na sua calça e aparentemente tocando seus órgãos genitais enquanto se reclina na cama.

A cena é interrompida por Borat, que entra correndo e diz: "Ela tem 15 anos. Ela é muito velha para você."


Segundo o jornal The Guardian essas cenas são reais e só vieram à tona quando ele ligou para a polícia de Nova York relatando a intromissão de um homem. Ressalta-se que a atriz possui 24 anos e segundo o jornal, a situação pareceu consensual, embora Giuliani tenha afirmado que apenas estava tentando ajeitar sua camiseta. Vejam o filme e tirem suas conclusões.


O que quero tratar aqui é sobre o assédio nas relações de trabalho. Se na situação narrada fosse constatado um assédio sexual o jornal em que ela trabalha poderia ser responsabilizado?

O assédio sexual é qualquer comportamento indesejado de caráter sexual, que pode ocorrer tanto de forma física como verbal.

Existe sim a possibilidade do assédio realizado por clientes/consumidores como na situação hipotética: o entrevistado e a jornalista.

A empresa pode ser responsabilizada se considerarmos que ela deveria prevenir ações desse tipo (fiscalizando, orientando e impedindo). Vejam que jamais uma empresa pode estimular esse tipo de atitude para conseguir “melhores matérias”: a dignidade da trabalhadora não é moeda de troca.

Hoje no Ciclo do CCONS e da NÔMA vamos discutir mais esse filme!


Miriam Olivia Knopik Ferraz

Artigo escrito em 18 de novembro de 2020.

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